Sobra Tanta Falta

"Falta tanta coisa na minha janela... Falta tanta coisa na memória... Falta tanto tempo no relógio... Sobra tanta falta... Sobram tantas meias-verdades... Sobram tantos medos..." ...........................................[Teatro Mágico]

Sobra Tanta Falta

"Falta tanta coisa na minha janela... Falta tanta coisa na memória... Falta tanto tempo no relógio... Sobra tanta falta... Sobram tantas meias-verdades... Sobram tantos medos..." ...........................................[Teatro Mágico]
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Terra Blog

Arquivo de: Abril 2008, 28

28.04.08

Um Bom Amigo

De tudo o que está escrito, eu amo somente aquilo que o homem

escreveu com seu próprio sangue.

Escreve com sangue e experimentarás que sangue é espiríto. (Nietzsche)

 

Há dias em que a rotina sufoca, que o anseio de encontrar o vale-a-penismo no meio de todas as suas atividades é gritante. Tem horas que o retorno de se ser pragmático não é nada compensativo, na verdade é até desestimulante.
Em dias em que não há musicalidade, em que os jornais abrem as janelas à visualização do desespero, da maldade do ser humano, do egoísmo que carregamos, da nossa falta de consciência e consideração com o próximo. Em que sofro um descaso ou quando simplesmente não há graça em se continuar. Eu abro um livro, sei que para alguns soa um pouco piegas, não me importo, não mais. Este é uma das formas que encontrei para anestesiar os meus sentidos, para refugiar, esquecer e sonhar sem precisar propriamente dormir.
Mas não qualquer livro, abro aquele que vai me devolver a paixão, a visão, a esperança, horizontes, confesso que muitas vezes utópicos. Livros em que encontro conversas mais interessantes.
Em particular abro Sobre o Tempo e a Eternidade de Rubem Alves. Fernando Pessoa em uma carta tentando explicar porque criou os heterônimos, afirmou que com tanta falta de pessoas coexistível, como há hoje, que pode um homem de sensibilidade fazer senão inventar seus amigos, ou, quando menos os seus companheiros de espírito? Identifico-me em parte com esta decisão, pois eu tenho o privilégio de ter bons e essenciais amigos ao meu lado. Porém eu não posso fruir da companhia deles quando eu bem quiser. Sendo este um dos motivos porque procuro um livro.
Além de ser meu conterrâneo, Rubem Alves tem uma essência encantadora. Uma magia inexplicável de tornar belo o que geralmente classificamos como triste. Não estou dizendo em levar ao conformismo, muito pelo contrario, o autor tem um espírito entusiasta, apaixonado.
Em Sobre o Tempo e a Eternidade, encontramos crônicas que tratam de casamento, amizade, solidão, infância e outros assuntos, todas trabalhadas com graciosidade que cativam o espírito.
Os livros pedagógicos também trazem um espírito entusiasta e inovador, orientando o olhar dos educadores a um mais além do tradicionalismo, a ver seus futuros e/ou atuais alunos um local onde bons garimpeiros podem encontrar preciosidades.
Estar em companhia de Rubem Alves mesmo que seja através de uma crônica curta é saborear palavras intensas, é ter um olhar lúdico. Ter musicalidade em frases carinhosamente construídas. È saber cumprir seu papel de cidadão mesmo com todas as dificuldades de “boa vizinhança” sem a rudeza do cotidiano.
Rubem Alves é um dos escritores por quem suspendo um pouco a minha corrida e deixo minha parcela de medo se dissipar; medo da solidão; do sofrimento; da pobreza. E sinto surgir um espírito novo, feliz e contagiante.

  • criado por  Les criado por Les
  • Postado em 20:41:51